Liberdade, o que fazer com ela?

Lutero sabia que o cristão é livre, a partir da salvação, apenas para servir. Liberdade fora do serviço ao próximo é liberdade para pecar.
Talvez a maior liberdade que uma pessoa pode aspirar seja a liberdade de si mesmo. Paulo, emRm 7.24, suplica: “Quem me livrará do corpo desta morte?”.

Estranhamente, liberdade virou um conceito destituído desse significado cristão. Liberdade virou sinônimo de “eu faço o que quero e ninguém tem nada a ver com isso”. Interessante como buscamos desculpas teológicas para defender essa suposta liberdade.

Um jovem cristão, dia desses, argumentou comigo que eu não tinha direito de falar nada sobre seu comportamento, porque estava ferindo sua liberdade. Muito bem, quer dizer então que o cuidado cristão, que um irmão deveria ter com o outro para, juntos, progredirem no serviço, virou invasão? Fico pensando como será a leitura bíblica a partir desse pressuposto: eu assimilo o que eu gosto e ignoro o que me fere? Não preciso modificar meu comportamento em nada?

A partir de Fp 2.13 (“Deus opera em nós tanto o querer quanto o realizar”), há aqueles que defendem que o esforço humano para nada serve, que devo “esperar” que Deus me modifique e, se isso não acontecer, simplesmente me aceitar como sou.

E desde quando a Bíblia ensina que temos que nos acomodar com o pecado? Quer dizer, então, que não há transformação? Não há um procurar agradar a Deus? Não há preocupação com o testemunho?

Esses dois pensamentos acima são frutos da mesma árvore: o hedonismo. Eu apenas faço aquilo que me dá prazer e não me limito em nada em favor de ninguém.

Semana passada, quando estive em Blumenau, surpreendi-me com a briga de dois homens por uma vaga para o automóvel, em frente a farmácia onde estava. Ao que parece, um deles não percebeu que o outro queria estacionar e “roubou” a vaga. Isso certamente já aconteceu com muitos de nós. Mas a reação do outro motorista foidesproporcional. Saiu do carro, aos berros, exigindo o que era seu por direito. Tinha uma atitude ameaçadora, inclusive. Só parou de esbravejar quando teve sua vaga de volta.

Assim é o ser humano: não abre mão de seus direitos nunca, ainda que seja por uma coisa irrisória como uma vaga para o automóvel.

Que bom que Jesus não é assim. Ele abriu mão de todos os seus direitos. Não deveríamos nós fazer o mesmo?